quarta-feira, 8 de setembro de 2010

As marcas da Aparencia

Aproveitando a época de eleição e diante a toda palhaçada explicita no programa eleitoral encontrei na net uma pérola dos "causos da roça"...confira!


Lá em Tabuí tinha um negão brilhoso, azulado e teimoso. Tão teimoso que ficou rico zunhando daqui e dali, fazendo umas malandragenzinhas, sempre muito dentro do pãodurismo. No começo todo mundo o conhecia por Pitoco do Rolamoça. Depois, na abastança, virou senhor Epitácio da Silva. Ai de quem o chamasse pelo antigo nome. Era cacete na certa.

Mas o senhor Epitácio da Silva não estava satisfeito com a vida de rico só não. Enricara e queria mais. Era ambicioso e orgulhoso. Passou a querer caber onde muita gente achava que ele não cabia. Povo racistazinho o de Tabuí!... A coisa começou a entornar o caldo para o lado do Epitácio quando ele resolveu que era hora de entrar para a política. Logo o Epitácio que mal conseguia juntar as letrinhas para escrever seu nome, querendo virar político!...

- Eles tão no bem-bão e eu tamém quero entrá nessa. Quero ajudá a resorvê os pobrema do país...

Como todo político que se preza. Foi lá no vigário pedir aconselhamento e orientação.

- Sô vigaro, tô com dois pobrema...
- Sim, figlio mio? Qual o segundo?

Padre Anacleto, embora sotaqueando, gostava muito de perdoar atentados gramaticais de qualquer um não. Muito menos do senhor Epitácio da Silva que todo mundo, dentro do confabulamento, sabia qual era seu sonho.

- Sabe, sô padre, quero entrá na política e quero sabê o que qui o senhor acha. Quero ajudá muito o sinhô e a igreja, se Deus quisé!
- Olha, senhor Epitácio, io num acho niente, muito menos pelo contrário.
- O senhor acha que dô para político?
- Io non lo so! Mas digo-lhe que se o signore tem um sonho e pode tentar executá-lo, que tente! E veja no que dá.
- Pois é sô vigaro. Acho que posso ajudá a resorvê a pobremada do Brasil rapidinho. Já tenho uns projeto...
- Si, signore Epitácio da Silva. Todos pensam assim no começo. Depois é só venha a nós. Mas seja o que Deus quiser!... Fé n'Ele e pé na tábua.

Senhor Epitácio da Silva, todo aperuado, começou campanha política com festanças e discursos que poucos entendiam. Dava botinas pra tudo quanto é homem e cortes de chita e de chitão pras mulheres. Tornou-se o maior caridoso da paróquia. Seu negócio era virar deputado estadual de qualquer maneira. Ir pra capital. Ser respeitado... Sair no jornal, na televisão... Seria a glória.

Para parecer uma pessoa importante, candidato Epitácio comprou um carrão último tipo. Naquele tempo o carrão de gente importante era Itamaraty. Foi nesse mesmo que nosso amigo começou a cortar o mundo e a mostrar sua riqueza. Dificuldade danada para aprender a dirigir. Analfabetismo brabo. Mas aos trancos e barrancos Epitácio ia levando seu nome pra todo lado, até nos confins de Tabuí. Todo mundo já conhecia o negão, aquele do carrão. E o pessoal começou a achar que o Epitácio era homem esforçado e que, sendo rico, não ia precisar roubar quando entrasse na política. Esses baratos todos... Voto de muita gente tava garantido, principalmente daqueles que, vendo nele um raro exemplo da raça que se sobressaia na riqueza, despejaria voto no conterrâneo.

Depois de conquistar Tabuí, senhor Epitácio da Silva resolveu levar seu nome para o conhecimento da vizinhança. Outras cidades. Pequenas como Tabuí. Primeiro, Uruburetama. No caminho, deu carona para um abotoadinho de paletó e gravata, empertigado, que carregava Bíblia e pastinha. Uma em cada mão. Era um pastor protestante batalhador, testemunha de Jeová, disposto a arrebanhar ovelhas pro seu rebanho assim como nosso herói arrebanhava votos. O pastor assentou no banco traseiro do carro e lá se foram os dois papeando. Epitácio na frente, choferando, e o pastor atrás. Chegam ao posto de gasolina na beira da estrada. Poderia ser mais um voto o do rapaz da bomba.

- Compreta o tanque, meu pobre rapaz!

O rapaz ficou foi aziado com o tratamento. Pensou: "pobre é a mãe". Mas fez o serviço.

- É treis mil cruzeiro!

O candidato, mais que depressa, dá uma nota de cinco mil novinha, junto com um santinho da sua campanha e diz:

- Pode guardá o troco!

O rapaz, também analfabeto, satisfeito com tanta bondade, julgando que o do banco traseiro, o do terninho, é que era o dono do carro, foi para a janela traseira e se desmanchou em agradecimentos:

- Deus lhe pague, meu senhor! Hoje minha muié e meus dois fio vão podê jantá!... Deus te dê em drobo, meu patrão!

O pastor, caladinho, não sabia o que dizer, tão cômica a situação. E o Epitácio, tão enfezado que nem olhava para trás, pensava consigo mesmo: "que desaforo, eu sê cunfundido com um pé rapado desses, como se ele fosse o dono do carro e o doadô da gorjeta..."

Disse então ao pastor, depois de muito craniar:

- O senhor sabe dirigir?
- Sei, sim senhor!
- Então passa pra frente. Fica'qui no meu lugá!

Depois de andarem mais um bom pedaço, param noutro posto para botar mais combustível. O empregado, um gorducho bonachão, encheu o tanque, sem tirar um riso zombeteiro e um palito do canto da boca. Epitácio passa cinco mil para o pastor pagar dois mil e quinhentos e repetir a história de antes.

- Pode ficar com o troco, meu amigo!

O gorducho, muito satisfeito, agradece, cheio de palavras, ao pastor. Depois se dirige ao negão piscando um olho e retirando o palito do canto da boca:

- Aí negão! Pegano carona, heim?

Mal eles somem de vista do posto, o candidato manda parar o carro. Resolve abandonar o pastor e voltar pra sua Tabuí. Desanimado e puto da vida.

- Sô vigaro, quero mais sê político não. Vô pará. Quem nasceu pra sê Pitoco, num consegue chegá a Sua Excelência senhor Epitácio da Silva nunca não!...Inté!

Autor: Eurico de Andrade (eurico2005@gmail.com)

segunda-feira, 6 de setembro de 2010

Série biografia..Glauber Rocha


Glauber Rocha
(Cineasta brasileiro)
14-3-1939, Vitória da Conquista (BA)
22-8-1981, Rio de Janeiro (RJ)

Em maio de 1964, Deus e o Diabo na Terra do Sol concorre à Palma de Ouro no XVII Festival do Filme, em Cannes, perdendo para uma comédia musical francesa. Recebe, contudo, o Prêmio da Crítica Mexicana, no Festival Internacional de Acapulco, México; o Grande Prêmio Festival de Cinema Livre, na Itália; e o Náiade de Ouro, no Festival Internacional de Porreta Terme, na Itália. O diretor: Glauber Andrade Rocha. Idade: 25 anos. A partir desse episódio, o novo movimento cinematográfico brasileiro, o Cinema Novo, que revolucionou a linguagem do filme brasileiro nos anos de 1960, entrou para a história do cinema mundial.

Nascido na cidade de Vitória da Conquista, na Bahia, Glauber trabalhou como crítico de cinema em Salvador. Estreou como diretor com os curtas experimentais Pátio (1957) e Cruz na Praça (1959). Em 1961, filmou seu primeiro longa-metragem: Barravento. O filme, tendo o mar, a dança, as cerimônias e os sacrifícios rituais como elementos da narrativa, conta a história de um grupo de pescadores baianos. Ganhou uma célebre crítica de Alberto Moravia, no jornal L'Expresso (1963): "Trata-se de um dos mais belos filmes que temos visto atualmente (...) Particularmente, o que mais me impressiona no filme de Glauber Rocha é o fato de que a magia não é representada como um fenômeno folclórico, mas como uma tentação, uma insídia, um fascínio e um desejo de retrocesso e anulação.

Esse é um fato da consciência e, como tal, uma realidade histórica". Em 1964, surgiu Deus e o Diabo na Terra do Sol; baseado na literatura de cordel, retrata a pobreza e o fanatismo do povo nordestino. O filme seguinte, Terra em Transe (1967), que trata dos conflitos políticos, da violenta disputa pelo poder, da miséria e do subdesenvolvimento num país chamado Eldorado, conquistou reconhecimento e prêmio da crítica no XX Festival de Cannes. Seu terceiro longa-metragem,

O Dragão da Maldade contra o Santo Guerreiro (1969), inspirado no folclore e no misticismo do sertanejo, conquistou o prêmio de direção no XXI Festival de Cannes. A Idade da Terra (1980) foi apresentado na Mostra Internacional de Cinema de Veneza, provocando polêmica. Nas palavras do diretor italiano Michelangelo Antonioni, o filme é uma lição de como se deve construir o cinema moderno.

Rêpetéco..texto "Daiana"..por Biofa!

Para ler o texto "Daiana" clik aqui!

domingo, 5 de setembro de 2010

..O perigo é a gente transformar pobreza em folclore ou em gênero cultural, naturalizar isso, achar que "puxa, é legal ser pobre". Aceitar essa domesticação do racismo, do preconceito, da desigualdade e criar o pobre criativo e feliz, mas fora da universidade, sem disputar emprego com os garotos de classe média. Enfim, o pobre "limpinho" do discurso higienista, pronto para consumo, sem um sobressalto ético, sem perceber a violência física e simbólica a qual esses jovens são submetidos.
Ivana Bentes..pesquisadora

Um pouco sobre o Hip-Hop!.. por Dão Carvalho

Surgimento
O termo Hip-Hop foi estabelecido, por volta de 1968, pelo negro Afrika Banbaataa, inspirado em duas movimentações ciclicas. A primeira delas estava na forma cíclica pela qual se transmitia a cultura dos guettos norte-americanos. A segunda estava justamente na forma de dançar mais popular da época, ou seja, saltar (hop) movimentando os quadris (hip). Era um convite à festa. Nesta época (década de 60) proliferou-se uma grande discussão sobre direitos humanos e, nesta ordem dos fatos, os marginalizados da sociedade de Nova Iorque se articularam para fazer valer suas propostas na eliminação das suas enquietações. Assim surgiram grandes líderes negros, como Martin Luther King e Malcom X, e grupos que lutavam pelos direitos humanos como os Panteras Negras. E esse ambiente influenciou, bastante, os primeiros praticantes do Hip-Hop, principalmente artistas como Isaac Hayes que faziam os habitantes do guetto dançarem as músicas que eles mesmo intitulavam de "Raps", a exemplo dos "Ike's Raps" contidos nos LP's de Hayes, que eram compostos por uma base musical dançante acompanhado de rimas faladas que seguiam o ritmo. Além disso, a mensagem contida nas letras continha alto teor político-social. Portanto, juntando a música (Rap), a dança (Break) e a arte plástica (Grafite) você têm todos os elementos que deram origem ao Hip-Hop. Com Grandmaster Flash e o jamaicano kool Herc , Bambaataa é um dos pilares da música deste século.É o criador do electro-Funk com a música " Planet Rock" (1982) que mostrava batidas de Hip HOP com trechos de "trans - europe express" , dos pioneiros eletrônicos alemães krafwerk. Não batasse influência desse porte BamBaataa é considerado precursor do big beat , vertente eletrônica com nomes como Chemical Brothers , Fatboy Slim e Cristal Method de Boa parte da música eletrônica. Bambaataa , nome de um antigo chefe zulu , começou a organizar as "block parties" e campeonatos de break em 1977 no Bronx , Nova York , Lançou o primeiro single, ‘ Zulu nation thowdown" com o seu grupo de Mc’S soul sonic Force , que veio pela primeira vez ao Brasil em 1980. Zulu nation é uma comunidade religiosa criada por Bambaataa que crê na matemática, verdade , conhecimento , deus , amor , respeito , Ovnis , sabedoria , liberdade , Justiça , economia etc.

O HIP HOP NO BRASIL

No Brasil, o Hip-Hop chegou no início da década de 80 por intermédio das equipes de baile, das revistas e dos discos vendidos na 24 de Maio (São Paulo). Os pioneiros do movimento, que inicialmente dançavam o Break, foram Nelson Triunfo, depois Thaíde & DJ Hum, MC/DJ Jack, Os Metralhas, Racionais MC's, Os Jabaquara Breakers, Os Gêmeos e muitos outros. Eles dançavam na Rua 24 de Maio, mas foram perseguidos por lojistas e policiais; depois foram para a São Bento e lá se fixaram. Houve um período de divisão entre os breakers e os rappers, os primeiros continuaram na São Bento, os outros foram para a Praça Roosevelt. O Rap, a principio chamado de "tagarela", ascende e os breakers formam grupos de Rap. Em 1988 foi lançado o primeiro registro fonográfico de Rap Nacional, a coletânea "Hip-Hop Cultura de Rua" pela gravadora Eldorado. Desta coletânea participaram Thaide & DJ Hum, MC/DJ Jack, Código 13 e outros grupos iniciantes.Nesse período de ascensão do Rap, a capital paulista passou a ser governada por uma prefeitura petista, o que muito auxiliou na divulgação do movimento Hip-Hop e na organização dos grupos. Por esse motivo foi criado em agosto de 89 o MH2O - Movimento Hip-Hop Organizado, po r iniciativa e sugestão de Milton Salles, produtor do grupo Racionais MC's até 1995. O MH2O organizou e dividiu o movimento no Brasil. Ele definiu as posses, gangues e suas respectivas funções. Nesse trabalho de divulgação do Hip-Hop e organização de oficinas culturais para profissionalização dos novos integrantes, não podemos esquecer de citar a participação do músico de reggae Toninho Crespo. Este trabalho teve sua continuidade no município de Diadema com o profissionalismo de Sueli Chan (membro do MNU - Movimento Negro Unificado).




O conciencia humana faz o pré lançamento de seu novo album dia 06 de setembro de 2010 - segunda a partir das 23:00hs

local: Lumi's club
endereço: rua 13 de maio, 409 - Bela Vista - SP
preço: 10 contos de réis!

maiores informações: clik aki!

É isso..Astelavista rapa!

Escrava..por Emy Maruyama


Quando aquele amor
te faz de escravo
livre estás
terás milhares de paixões
que põe a vida na estrada
divagações?
e quem quer respostas concretas?!..
Vidas resolvidas são chatas

Quero pular da ponte ao rio
Afundar a fronte assustada
Abrir um sorriso no meio d`água
Achar nesses breves segundos
O quão fundo fui por respostas!..

De repente, jogadas como um dado
que ainda gira
Nenhum ponto a marcar
Você respira...
Não quero me soltar
Isso me alivia

Ivana Bentes: o contraditório discurso da TV sobre a periferia

Pesquisadora analisa a contradição do discursos das emissoras de TV sobre a periferia: ou pobre é violento ou é o pacífico criativo

http://www.brasildefato.com.br/v01/agencia


A periferia está na moda? A julgar pela produção audiovisual, mais do que nunca. Somente a maior emissora do país, a TV Globo, dedicou quatro produções ao cotidiano dos moradores dos grotões das metrópoles nos últimos dois anos: a programa Cidade dos Homens, a série de Regina Cazé para o Fantástico, Central da Periferia e, para o mesmo programa, a exibição do documentário Falcão, Os Meninos do Tráfico. Mais recentemente, houve a exibição do filme Antônia, em forma de minissérie.

Em entrevista ao Brasil de Fato, Ivana Bentes, professora de Comunicação da UFRJ, analisa o discurso "esquizofrênico" das emissoras de TV: se nos programas jornalísticos o jovem negro continua marginalizado, como o criminoso representado por uma sombra na parede e uma voz metálica, esse mesmo jovem é visto como "o favelado legal" na dramartugia.

O cinema também não fica de fora do que Ivana chama de "cosmética da fome", ou seja, a glamourização da pobreza e da violência das periferias. Sobre esse tema, a professora dedica um dos ensaios de seu novo projeto, uma pesquisa sobre as periferias – ainda não finalizada – em que busca a análise das imagens produzidas nas últimas décadas sobre o tema, analisando as mudanças tecnológicas e do imaginário da sociedade, nesse processo.


Ivana Bentes é professora e pesquisadora de Comunicação, cinema e
novas mídias e diretora da Escola de Comunicação da
Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).
Participa da Rede
Universidade Nômade: www.universidadenomade.org.br.

Para ler a entrevista com a pesquisadora Ivana Bentes para o jornal "Brasil de fato" clique aqui

sexta-feira, 3 de setembro de 2010

A Escravidão Negra e o Quilombo dos Palmares

Livreto de 32 páginas (em 2º edição), tem como principal fonte de pesquisa o livro "Rebeliões da Senzala", do Sociólogo Historiador Clovis Moura. Editora Ciências Humanas - SP - 1985.

Quem quiser adquirir faça pedido na Editora Luzeiro
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Leiamos 04 estrofes do poema:

(...) "Naquele período histórico
Palmares foi importante,
Enfraqueceu o poder
Do senhor escravizante,
O Zumbi era esperado
Na senzala mais distante.

O governo da província
Uma farsa preparou,
Nas promessas milagrosas
Ganga Zumba acreditou,
Dividindo o quilombo
A mentira ele encontrou.

Assim quando Ganga Zumba
Foi pra "Cacaú" migrado,
Zumbi logo recuou
E assumiu o reinado,
E quem ficou em palmares
Por ele foi liderado.

O governador geral
Concedeu a incumbência,
Ao Domingos Jorge Velho
Guerreiro de experiência,
Pra vencer e destruir
Do quilombo a resistência." (...)

O LATIFUNDIÁRIO [1968]..por Glauco Matoso

O que é literatura marginal!

Este programa é em parceria com o Centro Cultural da Juventude Ruth Cardoso

Confira nesta edição do projeto Semanas Temáticas da biblioteca do CCJ o Café Cultural com a presença de Ferréz, escritor, roteirista e cronista da Revista Caros Amigos. Apresentador do quadro de entrevista Interferência no Programa Manos e Minas da TV Cultura, já publicou diversos livros, entre eles Capão Pecado e Manual Prático do Ódio. Nos seus escritos, reivindica voz própria e dignidade para os habitantes das periferias das grandes cidades brasileiras.
Curadoria: Dolores Dbiruel.

sexta-feira, 27 de agosto de 2010

Cinema nacional..Querô o filme



Isso aí rapa..uma boa pedida pra quem tá a fim de conhecer a obra de Plinio Marcos.."Querô, uma reportagem maldita"..eu assisti e achei massa. Vale lembrar que o diretor procurou conservar os diálogos originais da obra do Plinio. confira mais detalhes no link abaixo:

sobre o filme



"O que me preocupa não é o grito dos violentos, nem dos corruptos, nem dos desonestos, nem dos sem-caráter, nem dos sem-ética. O que mais preocupa é o silêncio dos bons".

(Martin Luther King)

Daiana..por Biofa

Daiana estava indignada e andava de um lado pro outro na cozinha de casa. A mãe pedia que ela se acalmasse, que essas coisas são normais, falava com a filha e no final de cada frase a mãe balançava o ombro e dizia: fazer o que fia?!
- Fazer o que mãe! A senhora não está entendendo, são mais de 7 anos nessa vida, três horas pra ir, três horas pra voltar e se não bastasse, tem esse filhos da puta que sempre que podem se aproximam da gente no ônibus cheio e tentam tirar proveito, sempre tem um pau no cú querendo encoxar a gente, não aguento mais mãe, dessa vez foi de mais.
- Calma fia, não fica assim...
- Não fica assim mãe?! Olha só a minha roupa, olha o que esse desgraçado fez comigo, e o pior é que eu nem vi a cara do filho da puta!
- Ah é minha fia, como foi que aconteceu isso?!
- Não sei mãe, só senti quando já tinha descido do metro, achei q fosse outra encoxada qualquer do dia dia, mas não, olha o que o filho da puta conseguiu fazer!
- Oxe fia?!eles encoxam assim, todo dia é, ninguém fala nada?
- É mãe, todo dia tem algum espertinho que tenta ficar atras da gente e tira proveito, as vezes eu consigo ficar com a bunda pra porta ou de canto, mas tem dia... não tem o que falar, os ônibus e metros nesse horário de pico são assim mesmo e esses desgraçados se aproveitam, ah se eu vejo o filho da puta que fez isso comigo, ah se eu pego!
- Calma minha fia, calma
- Calma nada mãe, já decidi, vo amanha na agencia ver um carro pra comprar. Nem que eu pague em 10 anos, já decidi, vo comprar um carro e pronto!
- Mais fia, vai se individar assim...
- Assim como mãe?! Não quero mais essa vida e dessa vez passou do limite essa situação, ser encoxada todo dia a gente sofre mas até se acostuma, mas sair com uma gozada na calça de um filho da puta que eu nunca vi e nem sei quem é, isso não, é o fim da picada. Vo comprar um carro e acabar com essa agonia!
Enquanto isso, no Jornal Nacional é anunciado: Montadoras adquirem o maior indice de vendas de carro no semestre, ocorreram um grande aumento de compra de carros por parte da classe C e D....

quarta-feira, 25 de agosto de 2010

Viver por Emy Maruyama

Viver à morbidez
desse fluxo apaixonado
ao tudo
que mata
é nessessária mente aberta
ao nada

É preciso mais que pés ou pernas
fortalecidas pela sobrevivência
para viver nessa terra
que a cada passo
afunda-nos
e queima
e queima!
é preciso mais que força..
É ter os "por ques" como respostas
que levas contigo

Quem já teve o coração quebrado em pedacinhos
Sabe o que é ter um postiço
por um certo tempo..
Simplesmente nao dá para viver com ele.
É preferível um remendado por ele...

terça-feira, 24 de agosto de 2010

o fim do programa "Manos e Minas" na TV Cultura

Em um vídeo divulgado no YouTube na última sexta-feira (21), o rapper Mano Brown comentou o fim do programa "Manos e Minas", da TV Cultura.

"A gente tem condições de lutar e angariar lugares melhores para a gente poder expandir nossas ideias, culturas, músicas, nossa negritude", afirmou o músico. "Tudo que é bom recomeça", concluiu. A atração era voltada à cultura hip hop e à cultura da periferia da cidade de São Paulo.

quinta-feira, 19 de agosto de 2010

3em1..texto de Dão Carvalho



3em1

Zona leste, bar do seu Jorge..o radio toca um clássico do originais do samba..

“Na subida do morro é diferente...o movimento é geral,.o movimento é diferente, no sobe, desce, sobe gente, o cumprimento é diferente..alô como vai?..comé qui é? Alô como vai comé qui é?..

O volume do 3 em 1 de seu jorge está relativamente alto, e como se já não bastasse o volume, seu Jorge completava cantando com veemência.

― Alô como vai coméquié!!

― Porra seu Jorge..! Abaixa um pouco esse radio ai...! Eu e o Anselmo tâmo tentando conversá aqui!

Seu Jorge era ignorante..

― Porra!...conversa aí..! deixa eu cantar minha musica caralho!

O 3em1 chia..

Seu Jorge chega perto da antena..

O 3em1 toca..

O som continuava alto, seu Jorge continuava cantando...mal conseguiam brigar direito..

― Porra seu Jorge..desse jeito cliente nenhum vai querer entrar no seu bar!

― Ué?..e se num tá aqui?

―Tô seu jorge e o senhor devia agradecer por a gente ainda vir beber aqui no seu bar..

― Hã..! Me engana que eu gosto! Pensa que não vi vocês indo em direção ao bar do Costa? Só num ficaram lá porque tava fechado! Porque o Costa num é trouxa e num tem que ficar agüentando vocês até no domingo!

― Mas já que o senhor abriu, trata a gente com mais zelo meu querido..somos seus clientes..

― Num tô falando nada! Quem tá reclamando são vocês! - retrucou seu Jorge..

― Tamo no direito seu Jorge, só queremos um pouco de sossego!

― Qué sossego?...vai pescá! Aqui num é lugar de sossego! Teimava seu Jorge..

Anselmo já colocava a mão no peito de “Fumaça”..que mesmo com total descrição em sua carreira no crime, já estava a caminho de perder a linha com o dono do boteco..

Anselmo tava no “deixa disso”..”deixa quéto”.. mas seu Jorge continuava a cantar,

― Na subida do morro é diferente...!

O balconista não via o porquê de ter que abaixar o volume do 3 em 1..

Fumaça caminhou,..dessa vez irritado em direção ao balcão de seu Jorge..pois achou que o velho passara dos limites..

― Seu Jorge..seu Jorge..

― Calma!..dizia Anselmo tentando segurar Fumaça pelo antebraço..

― Calma o caralho...seu Jorge...desliga essa porra! Gritava fumaça do fundo da expelunca..

― Num vô desligá nada...se quiser ficar aqui, toma sua pinga ai e cala a boca!

Fumaça fez o que Anselmo temia e o que seu Jorge não esperava..puxou por debaixo do moleton vinho a pistola 380 que escondia na sinta, ameaçou de atirar no 3 em 1 mas seu Jorge entrou na frente, não podia deixar que fizesse isso, afinal comprara em um crediário muitos anos atrás em 24 suaves prestações nas casas Bahia..

Seu Jorge amanheceu jogado por cima do balcão com dois tiros no peito..

o 3 em 1 ainda estava tocando.

quarta-feira, 18 de agosto de 2010

Um pouco do mesmo! meu lugar..


Como dizia Plinio Marcos.."pelas quebradas do mundaréu" é onde me sinto seguro..por pior que seja, minha quebrada sempre fez minha segurança..um tiozinho firmeza aqui, um pé de breque ali, uns atrasa lado mas tem sempre quem te adianta..e vamos vivendo..as ruas da periferia nos remete sempre a uma realidade que aguça a curiosidade do playboy. Definir o que é periferia em palavras,..eu não me atreveria, mas quem sabe talvez, fazer um raio "x" através de suas imagens..!

100 sorrisos falsos! por Emy Maruyama



Esperar alguma coisa de alguém
é áspero

A Verdade aspereja as pessoas
é isso que a pessoa se torna:
áspera.

Ruim para a antiga amizade..
Confidências?!
dispersas como nossa convivência

Sempre a esperar um retorno..

Fotos?!
congeladas
gelo frio
que a moldura não assegura

choque térmico:

Era quente
como dentro de casa..

Agora gelado
como breu
do começo da manhã

Tentar uma volta?
mágoa
mágoa
mágoa
entooa no ouvido
esse diabinho

Chato?!